terça-feira, 9 de outubro de 2012

Um livro... de Schopenhauer

Há um tempinho venho me sentindo muito sozinha. Coisa que nunca apreciei na vida, estar sozinha! Sempre senti uma necessidade de estar na companhia de alguém, ou de ter alguém por perto... E ao mesmo tempo, sempre que achei que estivesse sozinha, hoje me pergunto, será que estava mesmo? Porque nunca havia chegado a este ponto que me encontro hoje. E vou dizer que se chegou agora, chegou sem eu querer também. Mas acho que chegou.

Um espécie de depressão 'saudável' me afligiu. Fiquei no meu canto, dormi muito mais do que o normal, me afastei das pessoas que eram mais proximas, e uma ANSIEDADE gigantesca brotou em mim. Uma fobia, uma mal estar, um incômodo sem igual, chegava a ser físico. Acordava sem objetivo, sem programação e principalmente sem vontade de nada. Vários motivos me levaram a chegar nesse ponto sim. Como sempre digo, nada é por acaso! E parece que você está perdido no mundo, sem um chão, sem futuro. Não saber o que farei da vida daqui dois meses me tira do sério. Me tirou de fato! Mas ao mesmo tempo, uma pergunta sempre vinha a cabeça, por que você está passando por isso? Por quê?  Eu já sabia que tinha um porquê de eu estar aqui, longe da minha familia e amigos, por vontade própria, e estar tão perdida. Sim, por vontade própria, consciente ou incoscientemente, venho me buscando. Buscando me conhecer e me entender melhor. Quero SER melhor. E buscar o SER, tem feito com que eu passe por essas fases de auto-conhecimento, onde você chega até os seus limites. E de fato agora eu cheguei. E sem quase ninguém saber...

Foi acontecendo uma coisa atrás da outra. Primeiro, logo que voltei de férias, passei uma semana trancada no quarto, só dormindo e comendo. Uma sensação terrível de isolamento profundo. Era uma ansiedade tão grande, me comia por dentro. Ficava me perguntando porque isto estava acontecendo comigo, se tenho tudo, se posso ser tudo o que eu quiser? Tendo um milhão de coisas a serem resolvidas e vontade zero de começar. Depois que reiniciei minhas aulas, as coisas pareciam estar melhores, mas queria ainda estar sozinha, sem ninguém. Sem vontade alguma de conhecer pessoas novas, sair a noite, socializar em geral, sabe? Depois me flagrei realmente sozinha quando vi que minhas amigas aqui já nem sentiam minha falta ou nem me convidavam mais para fazer nada. De fato me enclausurei no meu quarto, e ainda estou fazendo dele meu refúgio agora, mas com uma nova conotação. Agora tenho "fome"!

Durante esse tempo difícil de isolamento, estava atualizando o softer do meu celular e um dos ícones que apareceu foi o iBooks que nunca dei bola. E sem querer acabei achando os livros de Arthur Schopenhauer para baixar de graça, baixei o "The Wisdom of Life" e comecei a ler devagarinho. Ainda não terminei, mas já estou apaixonada. E me lembrei de um senhorzinho, médico, que conheci na Calábria, onde passei minhas férias trabalhando, sempre com um ar tranquilo, passava uma paz pra gente, extremamente gentil e querido com todos nós. No último dia, fui até ele agradecer por ter ajudado nossa amiga que estava doente, e vi que estava lendo um livro de Schopenhauer. E ele brevemente me disse que adorava ler seus livros, que eram de uma superioridade sem igual. Fiquei intrigada! Já não era a primeira vez que ouvia falar. Agora estou realmente descobrindo um autor que me atrai. De qualquer forma este foi um dos primeiros sinais... Em pouquíssimas e pobres palavras minhas, ele fala de uma forma geral sobre conseguir prazer e sucesso na vida, como atingir uma existência feliz. E se encaixou perfeitamente com meu momento, com a minha busca. Porque o primeiro ponto que ele aborda neste livro, que ele divide em classes distintas é O que o homem é. Falando que a felicidade que recebemos de nós mesmos (a nossa personalidade), é muito maior do que tudo que está lá fora. Fala da necessidade de descobrir intelectualidade, que através da intelectualidade você encontra a paz interior. Você nunca ficará sozinho. Porque mesmo que todos se vão, você ainda tem o seu intelecto para lhe fazer companhia. É uma pira muito boa!!! Estou adorando...

Mas eu não tenho como objetivo de vida ficar sozinha, não! Sonho em ter família. Mas agora, como meu amigo disse, e com permissão copio e colo aqui: "...dou aquelas férias merecidas ao amor cortês, e quando ele voltar, rediscuto a possibilidade..." Max Jacques. Porque agora é hora de parar e analisar... sempre ouvi me falarem que para você ser dois tem que ser um, que tenho que passar por uma fase sozinha para saber o que sou, o que eu quero, para saber fazer minhas escolhas futuras, para poder realizar meus sonhos mesmo. E agora quero ir até o fim.

Baci&Abbracci,

Marcela.

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