sábado, 13 de outubro de 2012

Eu e tu podemos, e agora?

Estava voltando sozinha pra casa a noite, depois de um bate papo muito gostoso e entusiasmante com meu amigo, e dentro já do tram, olhando para fora da janela, enquanto o tram estava parado vi um senhorzinho recolhendo o lixo das ruas. Ele primeiro puxava todas a chepas de cigarro para dentro do lixo, depois levantava a tampa que tinha um buraco no meio, recolhia o saco de lixo e o deixava do lado de fora, depois pegava um novo saco de lixo e cuidadosamente o acomodava no lixeiro. Logo depois de jogar o lixo no seu caminhão, repetia o mesmo procedimento 'over and over again' (de novo e de novo) num próximo latão de lixo. Depois entrava no seu caminhão, e sozinho guiava para o próximo conglomerado de latões de lixo. Mas ele fazia o seu trabalho com muito cuidado, via que ele acomodava o saco plástico de lixo novo com esmero, sem pensar, já era automático. Aí comecei a me perguntar, como será a vida deste senhor? Ele provavelmente depois de trabalhar a noite inteira, porque ele deve ser 'coruja' - trabalha de noite e dorme de dia - ele vai pra casa, toma seu banho, eventualmente vai ao mercado fazer suas compras básicas, depois exausto retorna a sua casa, talvez tome sua cerveja e faz uma bela e farta refeição para se sentir bem e vai dormir, ou jogar ou ler.
Aí fui um pouco mais longe no meu pensamento e comecei a pensar na minha vida. Hoje tenho a oportunidade de durante o horário de trabalho deste senhor ir a um aperitivo tomar alguma coisa e conversar com um amigo, voltar a casa e fazer o que eu quiser sem me preocupar com o amanhã. Cara, eu sou muitooooo afortunada! E de fato hoje estava fazendo exatamente isso! Mas depois de me deparar com esses pensamentos, já no caminho vim planejando em escrever sobre esta conclusão que cheguei.
Este senhor, de certa forma, executa um trabalho que não exige dele muito esforço mental, que talvez não o possibilite de se questionar sobre a sua vida, seu futuro, ou se já teve a oportunidade de fazer tal, talvez não tenha encontrado meios. Porque de fato temos muito mais pessoas que sobrevivem a este mundo do que vivem nele de fato.
Mas nós, eu e você que está tendo tempo e oportunidade de ler isso que escrevo, temos!!! Temos a oportunidade de questionar todas as nossas ações e inclusive a do próximo, de forma a fazer por eles os questionamentos. NÓS temos como incumbência usufruir das ferramentas que nos foram dadas, como tempo, conforto, oportunidades, cursos, para pensar pelo todo, para ser os agentes de mudanças, os mentores, os guias. Ser aquele que pensa e passa a informação aos outros que não tem conveniência para fazer isso. Hoje esse é o real sentimento que tenho comigo. Pelo fato de fazer parte de uma minoria que pode tudo o que quiser (porque esta é a nossa realidade), por ter alcance a tudo e qualquer meio, me sinto na obrigação de ser esse agente pensante e instruidor. E essa responsabilidade se fosse vista deste forma pela grande minoria que possui o poder da influência em suas mãos, seria aplicada de tantas outras formas diversas que não as que estão sendo aplicadas na atualidade.
Um exemplo. Novelas. Estava mesmo conversando esta noite sobre isso. As novelas tem um poder tão grande de influenciar as massas, o nosso povo brasileiro, e até de outros países por aí afora, mas não é usada como instrumento instruidor poderoso como é. E os escritores as usam muito mais como canal de entretenimento do que de instrução da massa. Que pena! E por aí posso citar outros tanto exemplos. Como por exemplo as propagandas. O publicitário para fazer o cliente ganhar dinheiro, transforma o real em surreal. Faz supervalorizar o produto, e fazer o senhorzinho, que está lá na sua poltrona sentado tomando a sua cerveja, querer comprar uma coisa que nem está precisando, ou que nem imaginava um dia precisar. Por que será que se ouve falar tanto em 'propaganda enganosa'? Porque elas existem, e estão aí... todos os dias nas revistas, jornais, TV, outdoors.
Tenho que me questionar sim!!!
É extremamente fascinante VER e entender... e talvez descobrir as coisas por si só...
A natureza é sábia demais. Em tudo que ela criou, ela criou uma dependência, ela criou uma ligação, de forma que fizesse com que todos nós tivéssemos que nos relacionar para aprender e evoluir. Assim como a planta precisa da terra, do sol, do ar... nós, animais, não só precisamos aprender a cultivar as plantas para haver a troca como também precisamos aprender a nos relacionar e conviver em comunidade para evoluir, crescer, e tanto mais. E por isso existe esta distinção entre as pessoas. Os que tem mais instrumentos e os que nem tanto. Mas a troca é paralela. Ou você nunca ouviu um conhecido dizendo que aprendeu uma lição com alguém mais humilde? Nossa... E normalmente essas lições são as que te tocam lá no fundo. Lá dentro. É porque contêm a essência, a pureza, o coração.
De fato tenho que entender que somos complementares, toda a humanidade, juntamente com a natureza. Essa é a idéia!



Baci&Abbracci,

Marcela.

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